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Road Trip de 4 Dias pela Overseas Highway: Key Largo a Key West

Quatro dias pela US-1 de Key Largo a Key West — a Overseas Highway inteira, mile marker a mile marker. Tarpões, a Seven Mile Bridge, os veados dos Keys, Bahia Honda e Mallory Square. Distâncias reais, logística honesta e a verdade sobre o trânsito.

por Silvio Alves
Vista aérea da Seven Mile Bridge levando a US-1 sobre os turquesa Florida Keys
A Seven Mile Bridge na Overseas Highway, Florida Keys — Public domain · Seven Mile Bridge, Florida Keys by US Department of Transportation

Há uma só estrada, e ela avança mar adentro.

Resumo rápido: a Overseas Highway são cerca de 113 milhas da US-1 de Florida City a Key West atravessando 42 pontes, e quatro dias é o tempo certo para percorrê-la sem pressa — um dia em cada zona: Upper Keys, Middle Keys, Lower Keys e Key West. Você pode fazê-la num único dia longo, mas pularia Bahia Honda, os veados dos Keys e tudo o que faz a viagem valer a pena. A melhor janela é de novembro a maio. O risco de verdade não é dirigir; é o trânsito numa estrada de duas faixas sem rota alternativa.

A US-1 deixa a Flórida continental em Florida City, desce para um fio de asfalto chamado Overseas Highway, e então faz algo que nenhuma outra rodovia americana faz: continua cruzando mar aberto, ilha por ilha, por 113 milhas, até uma boia em Key West que marca o ponto mais ao sul dos Estados Unidos continentais. Quarenta e duas pontes. A mais longa, a Seven Mile Bridge, é exatamente o que o nome diz.

Isto é um road trip de turismo, não uma viagem de mergulho. Você pode fazer snorkel pelo caminho — e deveria — mas aqui o que importa é dirigir: as pontes, as cidades contando para trás por mile marker, o lento desenrolar do país rumo ao sul até não sobrar mais país.

A viagem é de dificuldade moderada. Dirigir é fácil. O que a torna moderada é a logística: o trânsito que pode transformar um trecho de duas horas em quatro, o custo de tudo, e o fato de não haver um Plano B se a US-1 fechar.

Os endereços dos Keys vão por mile marker (MM), não por número de rua. Eles contam para trás de cerca do MM 113 em Key Largo até o MM 0 em Key West. Aprenda a lê-los — cada negócio, praia e retorno daqui está “no MM 47”.

Visão Geral

Quatro dias, de norte a sul, uma noite mais ou menos no lugar certo para nunca ter que voltar atrás. Key Largo e Islamorada (Upper Keys) no Dia 1, Marathon e a Seven Mile Bridge (Middle Keys) no Dia 2, Bahia Honda e Big Pine Key (Lower Keys) no Dia 3, e Key West no Dia 4.

A rota: Florida City → Key Largo (MM 113–90) → Islamorada (MM 90–72) → Marathon (MM 53–47) → Seven Mile Bridge → Bahia Honda (MM 37) → Big Pine Key (MM 30) → Key West (MM 0). Cerca de 113 milhas de Overseas Highway de ponta a ponta.

Melhor época: Inverno e primavera (de novembro a maio). O tempo mais seco, a água mais calma, as melhores vistas das pontes — e os preços mais altos e o maior número de gente. Reserve hospedagem com muita antecedência nessa janela. Evite a temporada de furacões (junho–novembro) se puder.

Lógica de base: Durma em Islamorada (Noite 1), Marathon ou Big Pine (Noite 2), Key West (Noites 3 e 4 — ou só a Noite 3 se voltar dirigindo). Trocar de hotel toda noite parece chato, mas economiza horas de caminho repetido numa estrada de uma faixa por sentido.

Dia a Dia

Dia 1 — Upper Keys: Key Largo e Islamorada

Saia do continente cedo; o trecho de Florida City da US-1 congestiona no meio da manhã nos fins de semana. Sua primeira parada de verdade é o John Pennekamp Coral Reef State Park (MM 102.5, Key Largo) — o primeiro parque submarino dos EUA. Você não precisa entrar num barco. O centro de visitantes, um pequeno aquário e trilhas fáceis a pé bastam para o ritmo de um road trip, embora os passeios de barco de fundo de vidro e de snorkel sejam o motivo pelo qual a maioria para.

Por perto, em Key Largo: o Florida Keys Wild Bird Center, um santuário gratuito de reabilitação de pelicanos, garças e águias-pescadoras, e — para certo tipo de viajante — a própria African Queen, a lancha a vapor do filme de Bogart de 1951, que ainda faz passeios pelo canal.

Dirija ao sul até Islamorada (“a Vila das Ilhas”). A parada imperdível é a Robbie’s of Islamorada (MM 77.5), onde pelo preço de um balde de isca você pode alimentar à mão tarpões de 100 libras que fervem a água no píer. É turístico e é maravilhoso. Some o History of Diving Museum se chover, e a Anne’s Beach (MM 73.5) — um baixio raso cercado de mangue, mais para entrar na água a pé do que para tomar sol, mas uma pausa genuinamente bonita.

Dormir: Islamorada.

Dia 2 — Middle Keys: Marathon e a Seven Mile Bridge

Os Middle Keys são o dia de história natural do road trip. Em Marathon, o Curry Hammock State Park (MM 56) protege um dos maiores bosques de madeira de lei tropical dos Keys e é um famoso ponto de migração de gaviões no outono. O Turtle Hospital (MM 48.5) oferece passeios guiados por um centro ativo de reabilitação de tartarugas marinhas — reserve com antecedência, as vagas enchem. O Crane Point Museum and Nature Center (MM 50.5) combina um pequeno museu de história natural com trilhas pelo hammock e pelo mangue.

E então, o destaque: a Seven Mile Bridge. A ponte moderna leva a US-1; ao lado dela corre a ponte velha, construída sobre os pilares da ferrovia de Henry Flagler. Um trecho restaurado leva a Pigeon Key, uma ilha minúscula que abrigou os operários da construção da ferrovia há um século — você pode ir a pé ou de shuttle para ver a vista de volta ao longo das duas pontes. É a melhor fotografia de toda a rodovia.

Uma nota sobre os ossos lá embaixo: a Overseas Railroad de Flagler chegou a Key West em 1912, uma loucura de engenharia que de fato funcionou — até o furacão do Dia do Trabalho de 1935, um dos mais fortes que já atingiram os EUA, destruí-la e matar centenas. O estado comprou os destroços e os reconstruiu como rodovia. Você está dirigindo sobre um fantasma.

Dormir: Marathon ou Big Pine Key.

Dia 3 — Lower Keys: Bahia Honda e os veados dos Keys

Logo depois da Seven Mile Bridge, o Bahia Honda State Park (MM 37) é, honestamente, uma das melhores praias da Flórida — o que nos Keys é uma régua mais alta do que parece, porque a maioria das “praias” daqui é fina e pedregosa. Bahia Honda tem areia de verdade, água para nadar e uma foto dramática: o trecho quebrado da antiga ponte ferroviária de Bahia Honda arqueando-se rumo ao canal. Vá cedo; o estacionamento lota e fecha no fim da manhã nos dias movimentados. Se essa é a parada que você mais quer acertar, nosso guia completo do Bahia Honda State Park cobre em detalhe as praias, a concessão de snorkel e as reservas de camping.

Algumas milhas adiante, Big Pine Key (MM 30) é o lar do National Key Deer Refuge e de seus moradores estrela — os veados dos Keys, uma subespécie ameaçada do tamanho de um cachorro grande, que não existe em nenhum outro lugar da Terra. Eles circulam pelas ruas residenciais ao amanhecer e ao anoitecer. Dirija devagar: o limite de velocidade noturno cai para 35 mph justamente para não atropelá-los, e os carros são a principal causa de morte deles. O No Name Pub, um bar pé-sujo famoso por ser difícil de achar e forrado de notas de dólar, é a instituição local para almoçar.

Na costa aqui está Looe Key, um recife magnífico para snorkel se você quiser somar meio dia na água; precisa de barco. Se você perceber que quer mais tempo de recife do que esta viagem de carro permite, nosso roteiro de snorkel de 3 dias pelos Florida Keys é montado justamente para isso. Caso contrário, siga para Key West para passar a noite.

Dormir: Key West.

Dia 4 — Key West: MM 0

Você chegou ao fim da estrada. Key West é pequena o bastante para fazer a pé e de bicicleta. O ritual é a celebração do pôr do sol em Mallory Square — artistas de rua, carrinhos de comida e uma multidão aplaudindo o sol enquanto ele cai no Golfo. Chegue 45 minutos antes na temporada.

De dia: a boia do Southernmost Point (espere fila para a foto — é um marco de concreto pintado, ajuste as expectativas), os bares e lojas da Duval Street, e o Ernest Hemingway Home and Museum, onde cerca de 60 gatos — muitos deles de seis dedos, descendentes dos próprios de Hemingway — são os donos do lugar. Para praia de verdade, pule as lotadas e vá ao Fort Zachary Taylor State Park: o melhor banho, o melhor snorkel e um forte da época da Guerra Civil, tudo num só lugar.

Se você tiver um dia extra e ambição de verdade, as Dry Tortugas — Fort Jefferson e recife intocado, 70 milhas mais adiante — só são alcançáveis de ferry ou hidroavião e merecem um dia inteiro próprio. Não tente encaixá-las na tarde.

O Que Levar

  • Proteção solar — Os Keys ficam a 24°N; o sol é brutal mesmo no inverno. Protetor solar reef-safe (zinco ou titânio, sem oxibenzona), chapéu e óculos de sol.
  • Garrafas de água reutilizáveis — Tudo é mais caro aqui embaixo, incluindo uma garrafinha de água no MM 50.
  • Um mapa de estrada de verdade ou mapas offline — A cobertura de celular cai em trechos da US-1. Você só precisa de uma estrada, mas vai querer saber o mile marker offline.
  • Repelente de insetos — Mosquitos e maruins são sérios nas zonas de mangue, principalmente em Bahia Honda e Big Pine ao amanhecer e ao anoitecer.
  • Roupa de banho e uma toalha de secagem rápida — Para Bahia Honda e Fort Zach.
  • Paciência para o trânsito — Leve lanches. Você vai esperar em algum.
  • Dinheiro vivo — Para o No Name Pub, os baldes de isca da Robbie’s e aquela barraca que só aceita dinheiro.

Como Chegar

Do Aeroporto Internacional de Miami, são cerca de 60 milhas até Key Largo (aproximadamente 1,5 hora sem trânsito) e outras 100 milhas até Key West. Pegue a Florida Turnpike para o sul até o fim dela em Florida City, depois a US-1 rumo à Overseas Highway. Não há outra rota para entrar nos Keys — esta é a única estrada.

Logística que vale saber:

  • Encha o tanque de gasolina em Florida City antes de começar a descer. A gasolina dos Keys custa de 20 a 40 centavos a mais por galão.
  • Os mile markers são seu sistema de endereços. Diga ao seu hotel “estou no MM 47” e eles saberão exatamente onde você está.
  • Alugue o carro em Miami, não em Key West — devoluções de mão única nos Keys são caras, e você vai querer o carro pela viagem inteira de qualquer forma.
  • Pedágios: a Turnpike é pedagiada (leve um transponder ou um carro alugado que tenha); a própria Overseas Highway é gratuita.

Ressalvas Honestas

  • O trânsito é o risco de verdade. A US-1 pelos Keys é na maior parte de duas faixas sem rota alternativa. Uma única batida, uma pane, um trailer lento sem lugar para ultrapassar, e todo mundo atrás fica preso — às vezes por uma hora ou mais. Nunca reserve uma conexão apertada de ferry ou voo no mesmo dia de um trecho longo. Dirija os trechos longos cedo.
  • É caro. A hospedagem nos Keys está entre as mais caras da Flórida, e esgota com meses de antecedência no inverno e na primavera. Comida, gasolina, estacionamento e passeios custam todos acima dos preços do continente. Faça o orçamento de acordo, ou venha na baixa temporada (maio ou novembro) e aceite chances um pouco piores de bom tempo.
  • A temporada de furacões é genuína. De junho a novembro há um risco real, e os Keys têm exatamente uma única rota de evacuação. Acompanhe a previsão; tenha uma política de cancelamento flexível nas reservas.
  • As “praias” são modestas. Os Keys são coral e mangue, não areia. Praia natural limitada, frequentes faixas de sargaço e entrada rochosa rasa são o normal. Bahia Honda e Fort Zachary Taylor são as verdadeiras exceções — planeje seu tempo de praia em torno dessas duas e você não se decepcionará.
  • Pode parecer turístico. Longos trechos da US-1 são strip malls, lojas de isca e motéis de rede. A mágica está em paradas específicas que você tem que procurar — não na estrada em si.

Planeje Sua Visita

  • Melhor temporada: De novembro a maio para o tempo mais seco, a água mais calma e as vistas mais limpas das pontes. A temporada de furacões vai de junho a novembro.
  • Tempo de direção: Cerca de 113 milhas de ponta a ponta. Sem paradas são 2,5 a 3 horas; calcule meio dia por trecho se for parar de verdade.
  • Tarifas e horários dos parques estaduais: Os parques estaduais da Flórida na rota abrem das 8h ao pôr do sol, 365 dias por ano. A entrada custa entre cerca de US$ 4,50 e US$ 8 por veículo, mais uma taxa do condado de Monroe de 50 centavos por pessoa. Em 2026, Bahia Honda custa US$ 8 por veículo (2 a 8 pessoas) e Fort Zachary Taylor US$ 6 por veículo (seu forte fecha às 17h). Não é preciso reserva para entrar, mas o estacionamento de Bahia Honda lota e fecha no fim da manhã nos dias movimentados, então chegue cedo.
  • Acesso: A US-1 é a única via de entrada e saída. Não há rota alternativa — um único fechamento prende toda a cadeia de ilhas.
  • Dirija com cuidado em Big Pine Key: O limite de velocidade noturno cai para 35 mph ao cruzar o National Key Deer Refuge justamente para proteger os veados dos Keys, ameaçados de extinção. Reduza a velocidade ao amanhecer e ao anoitecer.
  • O que levar: Protetor solar reef-safe, chapéu, óculos de sol, repelente de insetos, roupa de banho e toalha de secagem rápida, garrafas de água reutilizáveis, mapas offline para os trechos sem cobertura, e dinheiro vivo para as paradas que só aceitam dinheiro.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo leva para percorrer a Overseas Highway?

Sem paradas, de Key Largo a Key West são cerca de 100 milhas e leva de 2,5 a 3 horas — se nada der errado. Mas nada na US-1 é sem paradas. É na maior parte uma estrada de duas faixas sem rota alternativa, então um único acidente ou um trailer lento prende todo mundo atrás por uma hora. Calcule o trecho completo de 113 milhas a partir de Florida City como meio dia se for parando, e nunca marque uma conexão apertada de ferry ou voo na chegada a Key West.

Qual a melhor época do ano para percorrer os Keys?

De novembro a maio. O inverno e a primavera trazem o tempo mais seco, a água mais calma e a melhor visibilidade — mas também o pico de gente e o pico de preços de hospedagem, que esgotam com meses de antecedência. A temporada de furacões vai de junho a novembro e é um risco real nos Keys, onde existe exatamente uma única rota de saída. O verão é quente, úmido, com mosquitos e tempestades à tarde, embora as diárias de hotel fiquem mais baratas.

Preciso parar em cada cidadezinha de cada mile marker?

Não. Os Keys recompensam escolher poucas paradas e fazê-las bem em vez de correr por todas. Este plano de quatro dias dedica mais ou menos um dia a cada zona: Upper Keys, Middle Keys, Lower Keys e Key West. Se você só tem dois dias, faça Key Largo ou Islamorada no primeiro dia e dirija direto a Key West no segundo — mas vai perder Bahia Honda e os veados dos Keys, que são os tesouros silenciosos.

Preciso pagar para entrar nos parques estaduais?

Sim, os parques estaduais cobram uma pequena taxa de entrada por veículo — entre cerca de US$ 4,50 e US$ 8 dependendo do parque, mais uma taxa do condado de Monroe de 50 centavos por pessoa. Em 2026, Bahia Honda custa US$ 8 por veículo e Fort Zachary Taylor US$ 6. Não é preciso reserva antecipada só para entrar, mas estacionamentos populares como o de Bahia Honda lotam cedo nos dias movimentados.

Quatro dias são suficientes, ou vale mais tempo?

Quatro dias é o ponto certo e confortável: um dia em cada zona (Upper, Middle e Lower Keys) mais Key West, sem ter que voltar atrás. Some um quinto dia se quiser as Dry Tortugas, que precisam de um dia inteiro próprio de ferry ou hidroavião. Dois dias é o mínimo absoluto e obriga você a pular Bahia Honda e os veados dos Keys.

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Silvio Alves
Silvio Alves
Publicado 4 de janeiro de 2026