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Lugares Escondidos southwest

Myakka River State Park — Caminhe pelas copas das árvores e depois conte os jacarés

Um dos parques estaduais mais antigos e maiores da Flórida esconde a primeira passarela pública entre as copas das árvores da América do Norte — e, na estação seca, um trecho do rio onde dá para ficar parado contando jacarés às dúzias.

por Silvio Alves
Vista ampla do rio Myakka no Myakka River State Park
Myakka River State Park, Sarasota, Flórida — Wikimedia Commons · Myakka River by Walter (WalterPro4755) · CC BY 2.0

Do estacionamento parece qualquer outra trilha de mata plana da Flórida — caminho de areia, palmitos, uma parede de carvalhos cobertos de musgo-espanhol. Você caminha algumas centenas de metros mata adentro, e então a trilha sobe. Não por um morro. Sobe para dentro do dossel.

Uma ponte suspensa percorre cerca de 25 pés acima do chão entre as copas dos carvalhos-vivos, balançando o suficiente para lembrar que está pendurada em cabos. Na outra ponta, uma torre de 74 pés rompe acima da linha das árvores e te entrega uma vista de toda a pradaria. Esta é a primeira passarela pública entre copas já construída na América do Norte, e quase ninguém fora de Sarasota parece saber que ela está aqui.

Construíram uma passarela para te colocar entre as árvores, e depois uma torre para te colocar acima delas. A Flórida é plana — isto é o mais perto que se chega de um mirante de montanha.

Algumas milhas ao sul, num baixo vertedouro de concreto abaixo do Upper Myakka Lake, está o outro motivo para vir: na estação seca, os jacarés se amontoam às dúzias na água que vai sumindo. Os locais chamam de muro de jacarés.

O que é

O Myakka River State Park é um dos parques estaduais mais antigos e maiores da Flórida — cerca de 58 milhas quadradas de pradaria, banhado, mata plana de pinheiros e hammock de carvalho e palmeira dos dois lados do rio Myakka, que corta o leste do condado de Sarasota. O Civilian Conservation Corps construiu boa parte da infraestrutura original na década de 1930, por isso as estruturas de pedra e tronco parecem de um parque nacional.

O terreno é em grande parte pradaria seca selvagem — um dos habitats mais ameaçados do estado, e um dos melhores lugares que restam para vê-lo intacto. O rio se alarga nos lagos Upper e Lower Myakka, rasos e mornos, que é exatamente o que as aves pernaltas e os jacarés querem.

A passarela do dossel é o destaque. A ponte te coloca dentro do dossel a uns 25 pés; a torre te coloca acima dele a 74 pés. De lá de cima a pradaria parece uma savana — plana, dourada, cortada por gaviões e uma ou outra grou.

O que dá pra fazer lá

Há mais do que se faz em um dia. Em ordem aproximada de prioridade:

  1. A passarela do dossel + a torre. Trilha curta e plana até o deque; suba a ponte, percorra o dossel, encerre na torre. Grátis com a entrada do parque. Vá cedo pela luz suave e menos gente.
  2. Conte jacarés no vertedouro. Dirija ou pedale até a ponta sul do Upper Myakka Lake. Abaixo do vertedouro, na estação seca, os jacarés se concentram na água baixa — muitas vezes dezenas à vista. Um deque e uma plataforma com corrimão te mantêm em segurança acima deles.
  3. O Birdwalk. Um deque que avança sobre a borda do brejo do Upper Myakka Lake — ideal para garças, garças-brancas, íbis, colhereiros-rosados e aves aquáticas, principalmente ao amanhecer.
  4. Passeios de airboat e de bonde. O parque oferece passeios guiados de airboat pelo lago e passeios de bonde ao ar livre pelo interior — ambos bons para iniciantes que querem ver fauna sem esforço. Têm horário; os fins de semana frescos e de céu limpo esgotam.
  5. Reme pelo rio e pelos lagos. Há aluguel de caiaques e canoas; o Myakka é lento e cênico. Mantenha distância respeitosa dos jacarés — eles estão em todo lugar.
  6. Caminhe e pedale. Milhas de trilha e uma estrada pavimentada do parque tornam o ciclismo fácil, além de trilhas de interior para quem quer distância.

Conte com a taxa padrão dos parques estaduais da Flórida — cerca de $6 por veículo (de duas a oito pessoas). O airboat, o bonde e os aluguéis custam à parte e vale reservar com antecedência na alta temporada.

Condições, com honestidade

  • A estação é tudo. O inverno e a primavera (a estação seca, mais ou menos de dezembro a abril) é a única época em que a maioria deveria planejar uma visita. Os brejos secam, a fauna se concentra na água que resta, os insetos somem e o calor fica suportável.
  • O verão é puxado. De junho em diante faz calor, tem umidade, insetos, e a fauna se espalha pela pradaria alagada em vez de se concentrar. Tempestades de tarde são quase diárias. Leve um bom repelente se vier mesmo assim.
  • A contagem de jacarés depende da seca. Um inverno chuvoso espalha a água e os jacarés com ela; um seco os amontoa no vertedouro. De qualquer forma eles estão presentes o ano todo — este é um habitat real de jacarés, não um zoológico.
  • A gente se aglomera. Os fins de semana frescos e ensolarados de inverno lotam o estacionamento da passarela e esgotam os passeios no meio da manhã. As manhãs de dia útil são calmas.
  • A passarela balança e a torre é alta. Ambas são seguras e têm corrimão, mas nenhuma é para quem congela com altura. Dá para pular a torre e mesmo assim aproveitar o dossel.

O que não é

Isto não é uma nascente. Não há água cristalina a 72°F para nadar, nem snorkel, nem nada com fundo de vidro. O Myakka é tânico, lento e cheio de jacarés — lindo para remar e fotografar, não para entrar.

Também não é um destino de verão. Se a sua única janela é julho ou agosto, espere calor, insetos e fauna espalhada, e modere as expectativas. E se você precisa da foto garantida de um jacaré de perto, o espetáculo do muro de jacarés é um fenômeno da estação seca — venha em março, não em setembro.

Se for

A base mais próxima é Sarasota, a uns 30–45 minutos a oeste; a entrada do parque fica na rodovia estadual 72. Leve binóculos, proteção solar, água e um chapéu — a pradaria tem pouca sombra. Combine com um dia de praia no Golfo em Sarasota, ou emende com outra parada da Flórida selvagem. Vá no inverno, vá cedo, mantenha distância dos jacarés e nunca, jamais, os alimente — um jacaré alimentado é um jacaré morto, e ele aprende a associar pessoas com comida.

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Silvio Alves
Silvio Alves
Publicado 7 de junho de 2026