Hontoon Island — O Parque Estadual que Você Acessa por Ferry de Passageiros Grátis no Rio St Johns
A quarenta minutos de Orlando existe um parque estadual onde você não pode chegar de carro. Um ferry de passageiros gratuito atravessa o rio St Johns até 1.650 acres de floresta de várzea, cabanas rústicas e um sítio arqueológico de 1955 que revelou um totem indígena de coruja de quase dois metros. A maioria…
Existe um parque estadual no centro da Flórida onde você não chega de carro. Sem ponte. Sem aterro. Sem cancela com guarita. Você estaciona no continente, desce uma rampa de madeira, pisa num barquinho de convés aberto, e cinco minutos depois está em uma ilha florestada de 1.650 acres no meio do rio St Johns.
O ferry é grátis. A ilha é livre de carros. O Universal Studios fica quarenta minutos ao sul.
A maioria dos floridenses nunca ouviu falar de Hontoon Island.
O que é
O Hontoon Island State Park fica em uma curva larga do rio St Johns, a oeste de DeLand, no condado de Volusia. A ilha em si são 1.650 acres de floresta de várzea — carvalho-vivo, palmeira-repolho, liquidâmbar, cipreste — o tipo de mata baixa e pantanosa que existia na Flórida antes das rodovias, dos parques temáticos e das cidades de aposentados.
O único acesso público é por um pequeno ferry de passageiros operado pelo estado, que vai do cais do continente até o cais da ilha, uns cem metros de travessia. O percurso leva cinco minutos. O ferry roda do nascer ao pôr do sol, o ano inteiro. É grátis e não leva carro.
A partir do momento em que você pisa na ilha, é tudo a pé.
O que se faz
O escritório do parque fica no desembarque do ferry. Você pode chegar sem nada e alugar uma canoa ou caiaque ali mesmo, ou trazer o seu e botar na água pelo lado da ilha. A água em frente ao parque é o canal principal do St Johns, mas se você remar para o norte entra no Hontoon Dead River — um afluente lento e escuro que contorna o fundo da ilha. Joelhos de cipreste, garças, um jacaré escorregando do tronco vez ou outra. Tráfego de lancha praticamente zero.
Para quem dorme na ilha, há seis cabanas rústicas para aluguel e doze pontos de barraca. As cabanas são de madeira, com tela mosquiteira, e categoricamente sem ar-condicionado. Têm beliche, telhado e varanda. Esse é o combo.
A caminhada principal é o circuito de quatro milhas até o sítio da escavação arqueológica de 1955. Naquele ano, um trabalhador limpando uma vaga de barco na ilha puxou da lama uma escultura de cipreste de quase dois metros — um totem indígena de coruja pré-colombiano, esculpido pelos Mayaca ou Timucua que viviam nessas margens séculos antes de qualquer europeu pisar na Flórida. O totem original hoje vive atrás de um vidro no Museum of Florida History, em Tallahassee. Na ilha você encontra uma réplica fiel mais ou menos no ponto exato onde foi descoberto, junto com um painel interpretativo contando a história.
No meio do circuito tem uma torre de observação de 24 metros que te coloca acima da copa das árvores. Lá do alto se vê o rio nos dois sentidos, o continente de um lado, e numa manhã limpa de inverno dá pra ver o vapor subindo do Blue Spring do outro lado da água.
Condições, com honestidade
Isso aqui é um pântano de mata dura. De junho a outubro os mosquitos são brutais — manga comprida e DEET, sem negociação. A umidade fica acima de 90% sem dó. As cabanas não têm ar-condicionado.
De novembro a abril a ilha muda completamente de personalidade. Manhãs frescas, umidade baixa e — o detalhe que importa — os peixes-boi sobem o St Johns vindos do Atlântico e se amontoam no Blue Spring State Park, a cinco minutos de remada cruzando o canal principal. De dezembro até começo de março, dá pra ver dezenas de peixes-boi passando em frente ao cais de Hontoon no nascer do sol. Essa é a janela.
Uma coisa pra planejar: o ferry para no pôr do sol. Se você está só de passagem no dia e perde a última travessia, dorme na ilha. O ranger não volta pra te buscar.
O que não é
Não é expedição na selva. Tallahassee não é uma trilha longa. As cabanas não são românticas. A praia não é praia — é uma campina ribeirinha com um cais de pesca.
O que é
Um parque estadual da Flórida funcionando, com cabanas rústicas, um afluente para remada, uma torre de 24 metros e um sítio arqueológico de 1955 que recuperou uma das mais antigas esculturas indígenas em madeira do sudeste dos EUA — e você chega a ele caminhando até um ferry de passageiros gratuito a quarenta minutos do Universal Studios.
Você não vai ver outro turista.
